| Bispo de Barra propõe sociedade ecossocialista para enfrentar crise |
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| Escrito por ALC | ||||||
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Salvador, quarta-feira, 13 de maio de 2009 (ALC) - Ao receber o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo em Freiburg, Alemanha, o bispo da diocese baiana de Barra, dom Luiz Cappio, defendeu a criação de uma sociedade ecossocialista para a superação da crise instalada pelo modelo neoliberal globalizado.
É preciso "reinventar nosso modo de vida sobre a terra", a "viver mais com menos", propôs dom Cappio, assinalando que a humanidade não está longe da barbárie, dada a extensão da crise de civilização e da grave crise ética nas quais a humanidade se encontra. A economia de livre mercado auto-regulado e absoluto gerou um quadro no qual os 20os 20 "Esta máquina de produzir desigualdade não mais se sustenta politicamente, nem se aceita eticamente", proclamou o bispo,no sábado, 9, para uma platéia de 300 pessoas em Freiburg. Cappio frisou que o prêmio Cidadãos do Mundo que ele recebeu não é mérito de um, mas de uma legião de pessoas, movimentos, organizações e entidades sociais que trabalham sob o imperativo categórico kantiano de "buscar para todos o que desejaríamos que todos fizessem a todos". "Entendi que Cidadãos do Mundo aqui premiados são os pobres desta região (ribeirinhos, índios, camponeses, pescadores do Rio São Francisco), com quem tenho aprendido mais do que ensinado", afirmou. Em 1993 e 1994, o bispo de Barra peregrinou pelas margens dos quase 3 mil quilômetros do terceiro maior rio brasileiro. Dom Cappio criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por priorizar, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com cerca de 498 bilhões de reais, "obras de infra-estrutura para o crescimento econômico a qualquer custo - até o desrespeito à lei, a povos tradicionais, a instituições do Estado". A cerimônia de entrega do prêmio foi aproveitada por dom Cappio para lançar na Europa a Campanha Internacional contra a Transposição do Rio São Francisco, organizada pelos 33 povos indígenas que vivem na bacia do rio. O bispo anunciou que o valor pecuniário do prêmio será aplicado no Santuário dos Mártires, na diocese de Barra, Bahia.
COMENTÁRIO DO PASTOR MANOEL MIRANDA
O consumismo contemporâneo pratica a barbárie com técnicas de seda. As empresas dos 20% mais ricos fazem as mais atraentes propagandas para o povo sentir desejo e consumir uma quantidade imensa de produtos completamente inúteis às necessidades básicas das pessoas. A principal propaganda é a que cria "necessidades". Para alimentar esta gigantesca máquina, sacrificam-se as florestas, os rios, a água potável, o ar, a dignidade das famílias, o futuro da geração atual de jovens e adolescentes.
Os governos em todos os seus poderes são aliados dessa estrutura diabólica sob as desculpas mais cínicas: isso é para gerar mais empregos, mais qualidade de vida, mais futuro; é para construir mais e melhores escolas, hospitais, estradas etc. E a ganância é tão intensa e desavergonhadamente explícita, que parlamentares e executivos são capazes de dizer que, se roubam, é porque não há uma boa vigilância sobre eles; sobre eles, que foram eleitos ou nomeados para produzir somente o bem para o povo todo, e não somente para os 20os 20
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